segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um passo adentro

- Tem certeza que é aqui? - indagou Dunas. A visão que transparecia a seus olhos nublava-o, por sua pura imponência, apesar de sua visão aguçada. Os olhos de lince que lhe eram característicos traziam uma fama singular. Era apelidado de Eric "Lince" Dunas, afinal.

- Sim. Em todo caso, precisamos entrevistar os moradores daqui... mesmo que não seja a casa dos Hendrick. - respondeu Luciane, a repórter de baixa estatura, aspecto frágil, mas ainda assim muito atraente. Seus profundos olhos azuis e cabelos lisos e negros já lhe facilitaram muitas concessões de entrevistados.

A casa era construída de tijolos cinzentos e escuros, adornados de líquen. Em sua fachada, uma escada encostava ao chão como uma língua macabra vinda da porta que parecia um bocarra. As janelas, fechadas e maltratadas, compunham as paredes externas da pequena mansão de dois andares. Uma fraca luz estava acesa em uma das venezianas do segundo andar, denunciando uma presença humana que poderia atender os dois visitantes.

Dunas tomou a dianteira. Seus anos na polícia tiraram-lhe um pouco do medo que todo ser humano deveria ter, para sua própria segurança. Perdera a conta de quantas vezes estivera em frente à morte. Estava agora com aquela bela repórter, que o contratara para conduzí-la em segurança pelos arredores da infame casa dos Hendrick. O bairro era chamado de Colina Silenciosa, e fazia jus ao nome. Entre as árvores esparsas e a pequena estrada mal cuidada cortando sua vegetação, o único ruído que se ouvia era o do vento ocasional e de pequenos pássaros. Tudo isso dava um aspecto desolado ao lugar.

O que será que essa garota deseja aqui?, pensava o investigador. Lembrava do famoso caso dos Hendrick, muito antes do seu tempo. Um daqueles casos que nunca foram solucionados. Eram uma família rica, influente, a voz mais forte entre várias pequenas residências vizinhas. Toda a Colina Silenciosa, no passado, era praticamente uma posse dos Hendrick - boa parte realmente era. Dunas, um averso a lendas e misticismos, sabia que muitos mitos cercavam a história da família. Apesar de sua grande influência nessa parte da cidade, o misterioso clã sempre manteve o próprio bairro recluso, como eles mesmos também eram. Estranhos nunca foram bem vindos aqui, e Dunas sabia que ninguém teria coragem de vir a esses arredores sozinho. Dizem que os Hendrick e seus vizinhos eram envolvidos em estranhos cultos e celebrações, tão fechados que qualquer viajante curioso demais desaparecia. Naquela época, era muito mais difícil - e em casos como esse impossível - encontrar pessoas sumidas.

Fugindo de seus devaneios, o detetive bateu palmas com força, para se fazer ouvir. Os trovões começavam a gritar no céu nublado, e o vento, como um assobio sinistro, acompanhava a música que precedia a tempestade.

- Que jeito antigo de chamar alguém na casa, Dunas - Luciane sorriu sarcasticamente para o homem cerca de vinte anos mais velho que ela - Há uma campainha aqui. Ela pressionou. Nada.

- Parece que sua modernidade não é tão eficiente, senhorita Balca.

- Falar de modernidade em frente a uma construção como essa? Vamos esperar pelo menos que alguém atenda. Estou morrendo de frio e preciso falar com Thomas Hendrick! Ou assim espero. Como tudo por aqui, só me falta que ele também seja mitológico!

- Pelo bem de nosso ecoturismo, senhorita, também espero que não.

Ouviram passos. O rangido do chão de madeira era distinto. Uma pessoa chegava para atendê-los, com certeza. A maçaneta virou devagar, e a porta abriu com um rangido. A fraca luz interna que podia ser vista da casa parecia com o que alguém esperaria de um mausoléu.

Ninguém apareceu. Nenhum passo foi ouvido em seguida, e a porta permanecia ali, como se pudesse fechar novamente a qualquer momento. O vento sacudia as janelas que ficavam entreabertas, e empurrava a porta aos poucos, cada vez mais escancarando-a.

- Oi! Alguém em casa? Senhor Thomas Hendrick? Meu nome é Luciane Balca, sou repórter do Nova Verdade! Eu gostaria de fazer umas perguntas ao senhor? Senhor Thomas?

Um silêncio interrompido pelo forte vento e trovoadas ocasionais imperou-se ali. Alguém descera para abrir a porta, mas não os recebeu. Deixara-os esperando ali por um desleixo qualquer.

- Se não fosse pelos passos que ouvi há pouco eu diria que a porta foi aberta pelo vento. Uma tranca avariada como essa teria dificuldade em manter ela fechada durante uma tempestade assim. Deus, acredito inclusive que a própria mansão, se é que esse nome bonito valha ainda, pode ruir se isso aqui piorar um pouco mais - praguejou o investigador.

- Vamos entrar - a repórter olhou de soslaio a Dunas, um olhar que ele conhecia. Vira muitos repórteres em sua carreira na polícia, e sabia que aquele olhar vindo de uma jornalista era sinal de que a caçadora de notícias não podia ser parada.

- Ok, você quem manda - Dunas certificou-se que sua arma estava embaixo do sobretudo. Nunca poderia estar seguro demais. E compensava-lhe um alerta especial naquele lugar, que dava calafrios até mesmo em um policial aposentado, testemunha de coisas piores. Seus costumes advindos da esperiência de enfrentar o desconhecido o fez respirar fundo. Com os olhos afoitos, deu um passo para dentro da casa.

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continua no próximo post

sábado, 17 de outubro de 2009

Crônicas... de algum lugar

Um sol forte refletia nos olhos daqueles que eram ousados o suficiente para fitá-los. Era convidativo, entretanto: céus limpos e azuis como uma tintura perfeita da natureza serviam de fundo para o astro luminoso.

Parei pensando, sentado em meu quarto com um caderno em minha frente. Sempre ficava mais inspirado quando escrevia à mão. Às vezes, abria meu laptop modesto e conseguia uma inspiração que se materializava naquelas teclas. Mas nas folhas brancas de papel é que minha mente devaneava pensamentos que se solidificavam em palavras a lápis.

Onde mais eu conseguiria inspiração? Batendo em botões barulhentos na casa alheia? Em um escritório frequentado por mim nos dias úteis (pra quem essa utilidade existia é uma outra incógnita)? Ou escrevendo naquele mesmo caderno, judiado pelo cuidado despreocupado de quem vê valor não nas exigências cosméticas do homem aplicado, mas sim na elucidação do homem curioso? Foi pensando sobre isso e sobre o nome "crônica", com uma pequena ajuda filosófica de uma outra pessoa, que refleti sobre a palavra.

Atendendo à uma rotina semanal, um professor dirigiu-se a nós com um conceito diferente de algo que vi ao decorrer de minha vida. Tal exposição me era familiar em um detalhe - o enunciante afirmava que sua classificação conceitual (ou de sua área) - automaticamente considerando tudo aquilo esposto por outros, os eruditos de outras classes, como sendo errado.

Ele nos falou sobre crônicas. Desde criança, eu via curioso os títulos de livros que me pareciam portas para o infinito, o imaginativo que me trazia o suspense do inesperado. Muitos deles sustentavam a palavra "crônicas". Desde então, ao longo da minha vida, guardei essa palavra em minha mente e coração - e nunca mudou sua identidade como um conjunto de histórias que me surpreendiam e deixavam curioso.

Então fui dito que tudo aquilo não eram crônicas. Não naquela área na qual os conceitos me são passados. Um jornalista nunca deve pensar em crônicas - não dessa forma. A crônica jornalistica é mais parecida com esse texto que você lê. Li uma vez como "conversa com o leitor".

Existe algo chamado na mídia e entretenimento em geral de "a quarta parede". Essa expressão significa o rompimento da pequena realidade criada em uma ficção, como uma peça de teatro, programa de TV, filme ou texto. Um exemplo seria o personagem de um filme dizer algo como "cara, fique tranquilo, isso é um filme!" para um de seus colegas, dentro da trama. O termo vem do fato de que um cenário normalmente possui três paredes, deixando a quarta como "janela" para o público.

Pra mim, um leitor adepto de ficções, de histórias semi-reais, contos e narrativas, algo como uma quebra de realidade (a língua inglesa chama de "suspension of disbelief", ou suspensão de descrença), um obstáculo à imersão do texto me soa como algo estranho. Gosto de escrever todo o tipo de texto. É muito interessante conversar com o leitor e ter um olhar semi-literário a respeito da vida.

Mas pra mim, a palavra crônica possui um valor que vai muito além da "simples" crônica jornalística. Como um jornalista, aceito muito bem e abraço essa definição. Mas como pessoa, crônica é uma história, real ou não, um conjunto de histórias que me fazem viajar pelos cantos inexplorados da imaginação humana. Sempre vai ser.

Será isso uma crônica em si? Não me preocupo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais uma batalha contra o telemarketing

* Essa excelente crônica abaixo foi escrita por minha amiga Thalita Marchiori *


Estava pensando com meus botões e percebi onde mais perdemos nosso precioso tempo atualmente. São reclamações, cancelamentos, ou até mesmo simples perguntas e quando achamos que estamos livres, lá vamos nós pegar o telefone de novo. Sim, estou falando do telemarketing!
Ao pensar na ligação, já temos que nos preparar psicologicamente para horas a fio com o telefone na orelha, e quando o caso é realmente grave, escutamos uma musiquinha insuportável por muito tempo.

Esses dias, estava eu no banco, alegre por receber finalmente o meu salário do mês, quando vi que mais uma taxa foi descontada dele. Fui perguntar à simpática e sorridente gerente que me informou que aquela taxa é sobre um serviço maravilhoso que só o banco em que ela trabalha oferece! Falou, falou, falou e eu percebi que nunca iria usar este serviço. Foi então que eu pedi que ela cancelasse este serviço e então veio a temida frase: “Senhora, para cancelar este serviço é necessário que entre em contato com nossa central de atendimento, através do 0800 blá blá blá...”

Lá fui eu para casa, respirando fundo e fazendo exercícios de meditação para não desistir durante a ligação. Peguei o telefone, pus um copo de água ao meu lado, peguei todos os dados do banco, foi uma grande preparação! Disquei e já começou mal! Começou com a bendita musiquinha! Mas tudo bem, respire fundo! Uma voz gravada dizia: “Para saber seu saldo, disque 1; para conta corrente, disque 2...” E nunca chegou uma opção falando sobre cancelamento. Poxa vida, era justamente a única opção que eu precisava. Mas nem tudo estava perdido, eu ainda podia falar com um atendente. Algum tempo depois de tanto ouvir musiquinha, uma atendente falou aquele textinho que eles precisam falar quando atendem um cliente e que termina geralmente em: “...em que posso ajudá-la?”. Foi então que eu expliquei meu caso e pedi o cancelamento do serviço. E sabe o que ela fez?? Ela me transferiu! Mais musiquinha para mim! Muito obrigado!!

Mais um tempo esperando que outra pessoa me atendesse, desta vez um homem perguntou como poderia me ajudar. Expliquei novamente a história para ele, confirmei um monte de dados, esperei todo o tempo necessário, até que o rapaz me informou que minha solicitação havia sido atendida e me perguntou se eu estava satisfeito com o atendimento. Eu, feliz da vida, respondi que sim, estava satisfeita! Afinal, demorou mas resolveu. Depois desta ligação de trinta e seis minutos (até que nem demorou tanto), comecei a pensar que ligar no atendimento ao cliente nem é tão ruim, dá pra suportar.

Um mês se passou, lá vou eu de novo ao banco, no feliz dia do pagamento. Eu pedi um extrato, meus olhos não acreditaram! Lá está ela, a bendita taxa pelo bendito serviço que eu não quero! Me arrependo de ter falado ao atendente que estava satisfeito com o serviço. Agora não estou mais! Lá vou eu para casa, recomeçar a batalha contra o atendimento ao cliente! Me deseje sorte!


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Uma pequena mente para vários mundos

Observei, em meus andares pela cidade, alguns garotos com um novo tipo de problema. Esse problema era de difícil diagnóstico. Em especial, vi um caso singular onde tudo passou a fazer sentido pra mim, mesmo que eu sentisse pesar pelo jovem.

Vi esse garoto correr feito doido para o que ele chamava de castelo, com uma espada em punho e bravamente urrando. Na verdade nem era um garoto. Era um musculoso brutamontes com várias camadas indumentárias metálicas. Não era feito de carne nem osso. Mas tinha um esqueleto. E um cérebro.

O cérebro e as mãos que o comandavam não estavam perto dele. Pertenciam ao garoto mencionado. O grandalhão nem sabia que caminhava simplesmente porque o garoto queria. Nem mesmo cabia ao pesadamente vestido homem pensar sobre isso – para o tipo de criatura que ele era, pensamento não havia.

Mas o menino sabia de tudo. Criara o fisicamente imponente sujeito. A cada passo que o brutamontes dava, havia o consentimento do jovem. Um comandante concentrado e alheio a quaisquer distrações ao seu calculado comando.

Eles estavam ali há tempos. O grandalhão não era afetado por isso. Não era uma pessoa, era um avatar, uma representação – personificação, se preferir. Não tinha cansaço, fome, sede, necessidade de companhia ou qualquer outra banalidade humana. Era superior ao seu dono em todos esses aspectos. Mas ainda assim era controlado por ele – e ironicamente aquele que sofria não era o pesado andarilho.

O garoto não olhava ao seu redor, mas sim apenas para a brilhante tela à sua frente. Ele não pedia companhia, nem nada que seu ambiente pudesse lhe oferecer. Apenas queria aquilo que via por uma tela de vidro. Ele não tinha uma realidade: o que desejava como seu real não existia, e o que existia não queria como seu real.

A fascinação gerava uma doença, um vício. Estava ali e não deixava-o sair de seu lugar. Tudo aquilo que perdeu e perderia passou como vulto ao seu lado, esquecido e nublado por sua enferma consciência. Os pais viam. Não gostavam. Mas não tinham como cuidar. Não era um vício normal. Não era uma mania dentro do que sua mídia os apresentava.

Não era um bem traficado, nem um narcótico ilegal. Era um brinquedo. Um brinquedo regado por tecnologia – já merecedora da etiqueta “ficção científica” – e que nunca deu à nossa mente tempo de aprender a digerí-la. Essa tecnologia criava mundos tão fortes quanto e até mais aprazíveis que o nosso. E por isso sugavam aqueles que buscavam uma fuga do mundo real. Era antes um brinquedo. Agora uma segunda vida.

Eles trataram o menino. Fizeram como qualquer pai e mãe – ou a maioria deles.
E lá corria o jovem, feito doido, através do rasteiro mato do campinho, em direção ao que chamava de futebol com os amigos. Ele vinha do carro de seu pai, que o trouxera de uma clínica qualquer. Curiosamente longe de qualquer lan house.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um prólogo de algo futuro

Estávamos todos soltos e espalhados por uma área em frente ao depósito. A estrada, esburacada e mal cuidada atravessava à nossa frente, enquanto aguardávamos nossos futuros patrões. Depois de ouvir diversas histórias de brigas e crimes dos mais desprezíveis resultados e motivações, minha mente acostumada foi entrando em um modo de autodormência. Eu sabia que o pessoal dessa área de atuação não tinha nada útil para falar. Já tinha visto de tudo nesse “emprego”.

Meus pensamentos já estavam alcançando uma altura considerável de “não estou me lixando”, quando sua incrível queda causada pelo barulho estrondoso do motor e buzina do caminhão estacionando me fez quase sacar minha arma. Um homem careca, com um bigode bem aparado, rosto redondo, mas severo desceu em nossa direção.

- “Vocês estão todos aqui pelo mesmo motivo, eu acredito. Bem, eu vou ser direto. Esse caminhão possui um bem de muito valor pra mim e minha organização. Um valor além do monetário. Em outras palavras, perdê-lo significaria praticamente a morte da nossa organização!”

- “Pela importância dessa mercadoria, eu convoquei in bom número dos melhores mercenários que pude encontrar. Vocês já receberam a informação do pagamento, e realmente receberão tudo isso cada um se o baú escuro dentro desse caminhão chegar ao seu destino”.
Nesse mesmo momento percebi um homem alto, de mais ou menos vinte anos, encostado na frente do caminhão, perto do chefe e com os braços cruzados. Eu podia jurar que ele não estava ali um segundo atrás.

- “Ah, e esse aqui é o último membro do nosso grupo. Ele é uma ‘ajuda extra’ de que vamos precisar se algo der errado”.

Estávamos tão embalados e concentrados na missão que ignoramos qualquer coisa suspeita a respeito do homem de jaqueta. Quando entramos na carroceria do caminhão, seu enorme interior deixou cada um de nós impressionados: Barras de metal de cerca de cinco milímetros contornavam o caminho das larguras da carroceria, passando pelo chão, paredes e teto. Preso nessas barras, um objeto de formato retangular, uma espécie de caixa de aço, jazia no chão como se fosse um cofre de aço. Talvez fosse.

Próximos a ele, estruturas na parede formavam bancos para nós sentarmos. Fomos nos acomodando um por um na enorme fileira. Quando já estávamos todos sentados, o homem de jaqueta encostou-se à parede próxima à porta recém fechada.

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Já faziam duas horas de viagem, e nada acontecera ainda. Nesse tempo, pegamos amizades - dentro do possível para gente como nós – com os outros mercenários, e a carroceria acabou virando um verdadeiro bar de amigos. Ouvimos maçantes e numerosas histórias uns dos outros, umas fantasiosas, outras tão reais que davam medo. O homem de jaqueta continuava estático, silencioso e aparentemente dormindo encostado de pé perto das portas traseiras. E pela segunda vez aquela noite, eu me deixei pegar por minha distração. Novamente ela apareceu na pior hora.
Um estrondo pegou nossos ouvidos de surpresa, fazendo cada um de nós sacar sua arma. O segundo estrondo veio segundos depois, acompanhando um clarão monstruoso que rasgou o teto do fortemente blindado teto da carroceria.

Foi então que percebemos um helicóptero voando acima de nós. Alguns homens com armas que nunca vimos antes e roupas camufladas para ação urbana foram descendo rapidamente do veículo voador e se acomodando próximos à fissura do teto. Antes que pudéssemos ver, apontaram suas armas e começaram a atirar. Com uma mira perfeita, acertavam cada um de nossos colegas sem nem ao menos arranhar o resto do caminhão. Caindo um após outro ao som daquelas armas completamente alienígenas para nós, o desespero começou a tomar conta de todos os mercenários. Foi quando percebi que o homem de jaqueta não estava mais ali.
De repente, os sons das armas pararam. O helicóptero começou a emitir flashes explosivos, como se tivesse a ponto de cair, quando o ruído de seu motor foi ficando cada vez mais distante. E o caminhão estava parando.

Abrimos as portas da carroceria para entendermos o que acontecera. O que vimos foi impressionante. Corpos de cerca de cinqüenta homens iguais àqueles que nos tinham atacado jaziam no chão. Mas não pareciam mortos, apenas inconscientes. E no meio de todos, como um eixo de um grande círculo, estava o homem de jaqueta. Ele olhou para nós de um modo completamente diferente. Não nos ameaçava, tampouco nos fazia sentir seguros. Foi como se um semideus olhasse para nós. Acalmando seu olhar, ele disse:

-“Desculpem colegas, esqueci de me apresentar. Meu nome é Adrae Honma”.