sábado, 3 de outubro de 2009

Um prólogo de algo futuro

Estávamos todos soltos e espalhados por uma área em frente ao depósito. A estrada, esburacada e mal cuidada atravessava à nossa frente, enquanto aguardávamos nossos futuros patrões. Depois de ouvir diversas histórias de brigas e crimes dos mais desprezíveis resultados e motivações, minha mente acostumada foi entrando em um modo de autodormência. Eu sabia que o pessoal dessa área de atuação não tinha nada útil para falar. Já tinha visto de tudo nesse “emprego”.

Meus pensamentos já estavam alcançando uma altura considerável de “não estou me lixando”, quando sua incrível queda causada pelo barulho estrondoso do motor e buzina do caminhão estacionando me fez quase sacar minha arma. Um homem careca, com um bigode bem aparado, rosto redondo, mas severo desceu em nossa direção.

- “Vocês estão todos aqui pelo mesmo motivo, eu acredito. Bem, eu vou ser direto. Esse caminhão possui um bem de muito valor pra mim e minha organização. Um valor além do monetário. Em outras palavras, perdê-lo significaria praticamente a morte da nossa organização!”

- “Pela importância dessa mercadoria, eu convoquei in bom número dos melhores mercenários que pude encontrar. Vocês já receberam a informação do pagamento, e realmente receberão tudo isso cada um se o baú escuro dentro desse caminhão chegar ao seu destino”.
Nesse mesmo momento percebi um homem alto, de mais ou menos vinte anos, encostado na frente do caminhão, perto do chefe e com os braços cruzados. Eu podia jurar que ele não estava ali um segundo atrás.

- “Ah, e esse aqui é o último membro do nosso grupo. Ele é uma ‘ajuda extra’ de que vamos precisar se algo der errado”.

Estávamos tão embalados e concentrados na missão que ignoramos qualquer coisa suspeita a respeito do homem de jaqueta. Quando entramos na carroceria do caminhão, seu enorme interior deixou cada um de nós impressionados: Barras de metal de cerca de cinco milímetros contornavam o caminho das larguras da carroceria, passando pelo chão, paredes e teto. Preso nessas barras, um objeto de formato retangular, uma espécie de caixa de aço, jazia no chão como se fosse um cofre de aço. Talvez fosse.

Próximos a ele, estruturas na parede formavam bancos para nós sentarmos. Fomos nos acomodando um por um na enorme fileira. Quando já estávamos todos sentados, o homem de jaqueta encostou-se à parede próxima à porta recém fechada.

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Já faziam duas horas de viagem, e nada acontecera ainda. Nesse tempo, pegamos amizades - dentro do possível para gente como nós – com os outros mercenários, e a carroceria acabou virando um verdadeiro bar de amigos. Ouvimos maçantes e numerosas histórias uns dos outros, umas fantasiosas, outras tão reais que davam medo. O homem de jaqueta continuava estático, silencioso e aparentemente dormindo encostado de pé perto das portas traseiras. E pela segunda vez aquela noite, eu me deixei pegar por minha distração. Novamente ela apareceu na pior hora.
Um estrondo pegou nossos ouvidos de surpresa, fazendo cada um de nós sacar sua arma. O segundo estrondo veio segundos depois, acompanhando um clarão monstruoso que rasgou o teto do fortemente blindado teto da carroceria.

Foi então que percebemos um helicóptero voando acima de nós. Alguns homens com armas que nunca vimos antes e roupas camufladas para ação urbana foram descendo rapidamente do veículo voador e se acomodando próximos à fissura do teto. Antes que pudéssemos ver, apontaram suas armas e começaram a atirar. Com uma mira perfeita, acertavam cada um de nossos colegas sem nem ao menos arranhar o resto do caminhão. Caindo um após outro ao som daquelas armas completamente alienígenas para nós, o desespero começou a tomar conta de todos os mercenários. Foi quando percebi que o homem de jaqueta não estava mais ali.
De repente, os sons das armas pararam. O helicóptero começou a emitir flashes explosivos, como se tivesse a ponto de cair, quando o ruído de seu motor foi ficando cada vez mais distante. E o caminhão estava parando.

Abrimos as portas da carroceria para entendermos o que acontecera. O que vimos foi impressionante. Corpos de cerca de cinqüenta homens iguais àqueles que nos tinham atacado jaziam no chão. Mas não pareciam mortos, apenas inconscientes. E no meio de todos, como um eixo de um grande círculo, estava o homem de jaqueta. Ele olhou para nós de um modo completamente diferente. Não nos ameaçava, tampouco nos fazia sentir seguros. Foi como se um semideus olhasse para nós. Acalmando seu olhar, ele disse:

-“Desculpem colegas, esqueci de me apresentar. Meu nome é Adrae Honma”.

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